terça-feira, 27 de julho de 2010

datena

"quem não acredita em deus não tem limite... é o Mal! Eu não sou a favor da pena de morte, mas pra esses caras [que não acreditam em deus], eu não sei"

aí ele manda fazer uma pesquisa pelo telefone: 'quem acredita em deus?' e diz que quer chegar a 30 mil votos...

percival de souza

"Eu vou voltar a ler o Policarpo Quaresma do Machado de Assis (sic)"

segunda-feira, 26 de julho de 2010

plínio

O PSOL mandou avisos à imprensa sobre a agenda de seu presidenciável, Plínio de Arruda Sampaio, acompanhados do comentário: "Lembramos que a legislação eleitoral brasileira prevê equidade na cobertura a todas candidaturas".
(Folha de SP, 26-07-10)

domingo, 25 de julho de 2010

plínio

grandes momentos da política

em apoio a dilma

O bispo de Guarulhos (SP), dom Luiz Gonzaga Bergonzini, disse em entrevista ao G1 que orientará os padres da cidade a pregar nas missas o voto contra a candidata do PT à Presidência, Dilma Rousseff.
(http://g1.globo.com/especiais/eleicoes-2010/noticia/2010/07/bispo-de-guarulhos-orienta-padres-pregar-nas-missas-voto-contra-dilma.html)

A candidata Dilma Rousseff (PT) enfrentou protesto hoje ao visitar a sede da Convenção Nacional das Assembleias de Deus. Uma faixa onde estava escrito "Apoiar a Dilma é negar a Bíblia" foi aberta por dois fiéis da igreja Batista de Brazlândia, cidade próxima à capital.
(http://www1.folha.uol.com.br/poder/772107-dilma-enfrenta-protesto-antiaborto-em-igreja-evangelica.shtml)

meus heróis não morreram de overdose

Em Santa Catarina, o PT pressiona o aliado PDT a levar para o barco dilmista a candidata ao governo Ângela Amin (PP)
(Folha de SP, 25-07-10)

grandes momentos da política

plano real real

Curiosamente, a discussão sobre o interesse ou não da TV Globo pela eleição do candidato FHC não voltou à baila.
(SZPACENKOPF, Maria Iabel Oliveira. O Olhar do Poder: a montagem branca e a violência no espetáculo telejornal. RJ: Civilização Brasileira, 2003. pp. 290.)

plano real (4)

Boris Casoy: "Com um pronunciamento de vinte minutos, no auditório do ministério da Fazenda, o ex-ministro Ricupero despediu-se ontem do poder. Foi um melancólico pedido de desculpas à nação. Vejam os trechos principais:"
Ricupero: "Fui vítima de uma falha eletrônica. Aguardava o momento de começar a 25ª. Entrevista daquele dia em que o real completava dois meses. Estava exausto."
Ricupero: "Fui provavelmente vítima, além do cansaço físico, de um processo em que a excessiva exposição na mídia e ao calor popular inflaram minha vaidade. Assumo inteira responsabilidade por aquele momento de fraqueza que me levou a dizer palavras que não refletem o que penso nem o que sinto. Em alguns daqueles comentários nem eu mesmo me reconheço. [...]"
Comentário de Boris Casoy: "Esse mea-culpa do ministro, embora não o redima de suas declarações no mínimo infelizes, mostra que como ser humano falível como todos nós ele agiu com muita coragem e dignidade com esta declaração. Sábado, nós aqui no TJBrasil, fomos duros com Ricupero. Ele causou uma enorme decepção não só a nós, como a toda população brasileira. Mas dentro desse furacão, na tormenta, ele acabou mostrando sua faceta maior que é a de um ser humano que quer acertar. Falhou, humildemente reconheceu as suas falhas e mostra que quer aceitar e tem princípios. Aliás, ele tem um passado de serviços prestados ao país que não pode ser esquecido."
*
O mea-culpa, ao qual Boris se refere, é a fala de auto-avaliação que Ricupero faz de sua atuação no dia em que ‘a parabólica pega’, na qual ele se apresenta como vítima de ‘falha eletrônica’, mas na verdade esta simplesmente surpreendeu uma falha dele. Ele vai se apresentando como vítima de ‘falha eletrônica’, mas na verdade esta simplesmente surpreendeu uma falha dele. Ele vai se apresentando como vítima, apontando os próprios erros e não deixando para terceiros esta avaliação. Ele mesmo faz seu julgamento e, sem dúvida, muito calcado nas repercussões que a mídia provocou com o escancaramento das falhas dele. Nesse processo de espetáculo, ele é um ator que, avaliando sua atuação, não deixa brecha ao julgamento natural por parte de terceiros.
É um mea-culpa em função da mídia, mesmo porque, se não fosse pela ‘falha eletrônica’, nada disso teria vindo à baila. O julgamento é também feito por Boris, que se imbui de sua própria autoridade para absolver o ministro. Ao contrário do que deveria ser a preocupação primordial, as discussões sobre episódios que envolvem escuta telefônica, grampos telefônicos etc. são com alguma freqüência desviadas para a questão ética do procedimento utilizado, esquecendo-se o conteúdo do que foi falado e escutado; a impressão que se tem é que, se fosse possível, esta parte ficaria de fora. [...]
Assim, diante do ‘ex-ministro’ de Boris, o espectador, atento ou não, já é pensado como dessubjetivado, assistindo aos fatos se desenrolando em função da dominação e da aplicação das leis midiáticas, que o conduzem na direção de uma exoneração ou de um pedido de demissão. Mesmo que nada disso tivesse ainda acontecido, praticamente já tinha sido anunciado.
(SZPACENKOPF, Maria Iabel Oliveira. O Olhar do Poder: a montagem branca e a violência no espetáculo telejornal. RJ: Civilização Brasileira, 2003. pp. 291-5)

plano real (3)

Se por um lado Boris Casoy diz "quem tem alguns ministros como cabos eleitorais, não precisa de inimigos", por outro, Boris Casoy acusa o PT de estar se aproveitando do caso, transformando-o num fato político que favoreça o partido.
A reação de FHC ao episódio Ricupero é comentada por Boris, que fala com autoridade, o que se percebe pelo uso que faz das marcas ‘é claro’, ‘é um azar na campanha’ ‘ ‘evidentemente’. Esta autoridade possibilita o seu ato falho ao chamar Ricupero de ex-ministro:
Boris Casoy: "Você vê que facialmente Fernando Henrique parece não ter acusado o golpe, que é um golpe duro, no Plano Real, na sua candidatura, porque pegou o coração do Plano Real, que é o ministro Ricupero. Não se sabe as conseqüências, mas que é um azar na campanha, sob o ponto de vista do PSDB, é. Fernando Henrique atrasou seus compromissos em Porto Alegre, ficou no hotel acompanhando de perto os acontecimentos e é claro que conversou com o presidente Itamar e com o ex-ministro (gagueja e conserta), ou, o ministro Ricupero. O incidente pode bater evidentemente em sua candidatura. Nem ele nem Itamar desejam isso. Claro que eles estão assim (faz um gesto com os dois dedos) e evidentemente por telefone rapidamente traçou-se hoje uma estratégia de comportamento e de resposta pró-ataques."

Se nesse trecho Ricupero já foi demitido por Boris – através de um ‘ex-ministro’ –, no próximo Boris se autoriza a passar o ministro à condição de puro cidadão, de ‘sr. Ricupero’:
Boris Casoy: "Você viu? Eu acho que o ministro Rubens Ricupero não vai aparecer mais no Fantástico este fim de semana fazendo pregação sobre o Plano Real. Olha, é preciso separar o Plano Real em si desse diálogo surpreendente entre o ministro Rubens Ricupero e o repórter da Rede Globo, Carlos Monforte. Depois dessas informações, o Sr. Ricupero perde qualquer condição para continuar no Ministério da Fazenda. Publicamente humilde e sóbrio, o ministro acabou exibindo uma faceta lamentável [...]."

Boris Casoy praticamente anuncia Pedro Malan como sendo o próximo ministro [...].
No Fantástico de 04.09.94, Ricupero apareceu não mais como ministro. Esse programa apresentou uma retrospectiva da boa atuação de Rubens Ricupero como ministro da Fazenda e fragmentos de se discurso de despedida.
O TJBrasil de 05.09.94, dia seguinte à renúncia do ministro, inicia a edição anunciando a escolha de Ciro Gomes para ministro da Fazenda [...].
(SZPACENKOPF, Maria Iabel Oliveira. O Olhar do Poder: a montagem branca e a violência no espetáculo telejornal. RJ: Civilização Brasileira, 2003. pp. 283-9)

plano real (2)

(Os dois telejornais no dia seguinte:)
Ricupero: Quando terminar tudo, se tudo der certo, o problema vai ser ele [FHC] explicar não me convidar.
Monforte: O quê?
Ricupero: O problema vai ser ele explicar não me convidar. Você sabe, eu não digo isso, mas há inúmeras pessoas que me escrevem e que me procuram para dizer que votam nele por minha causa. Aliás, ele sabe disso, NE? Que o grande eleitor dele hoje sou eu.
O JN apresenta a conversa até esse ponto. O TJBrasil, no entanto, dá prosseguimento:
Ricupero: Por exemplo, para a Rede Globo foi um achado. Porque eles, em vez de terem que dar apoio ostensivo a ele, botam a mim no ar e ninguém pode dizer nada. Agora o PT está começando... Mas não pode porque eu estou o tempo todo no ar e ninguém falou nada. Não é verdade? Isso não ocorreu da outra vez. Essa é uma solução, digamos, indireta, né?
(Esse trecho não aparece no JN nem a parte que Boris Casoy chama de ‘No ar o tempo todo’. Segue a sua transcrição:)
Ricupero: Se quiser, nesse fim de semana, podia gravar o Fantástico. Posso gravar também se quiser alguma coisa, eu estou à disposição. Quem é que é? É o Alexandre?
Monforte: Não, o Fantástico é a Nereide que cuida mais disso. Eu posso até falar com ela.
Ricupero: Pode falar porque eu estou disponível. Eu vou ficar aqui o fim de semana inteiro. Porque eu acho bom. Porque nessa fase, por causa do IPCR, eu estou querendo, por isso é que eu resolvi ficar no ar o tempo todo. Então o máximo que eu puder falar, eu falo.
*
Ao final dos trechos do ministro, segue o comentário de Boris Casoy, que com um meio sorriso ironiza:
Boris Casoy: Eu acho que o ministro Ricupero não vai aparecer mais no Fantástico este fim de semana falando sobre o Plano Real...
FHC, minimizando o ocorrido: ‘Não esperava outra coisa do ministro Ricupero’.
(SZPACENKOPF, Maria Iabel Oliveira. O Olhar do Poder: a montagem branca e a violência no espetáculo telejornal. RJ: Civilização Brasileira, 2003. pp. 283-7)

plano real (1)

O caso Ricupero trata do episódio ocorrido em 01.09.94 (levado ao ar na sexta-feira, 02.09.94 pelo TJBrasil), quando o ministro Rubens Ricupero e o jornalista Carlos Monforte, esperando o momento de iniciar uma gravação, conversavam informalmente. Em função de um acidente nas transmissões, essa conversa foi captada por antenas parabólicas, e aparelhos de televisão que estavam sintonizados receberam a transmissão ao vivo do que acontecia nos estúdios da emissora. Naquele mesmo dia, estávamos [a pesquisadora, autora do livro] no Jornal Nacional e presenciamos o mal-estar dos profissionais surpreendidos pela chegada de uma gravação em cassete dessa conversa, momentos antes de o telejornal ir ao ar. A gravação não pôde ser aproveitada, por Sr de má qualidade e por falta de tempo para a verificação de sua autenticidade. Foi com perplexidade que a equipe do JN assistiu à divulgação, com exclusividade, no TJBrasil, dessa mesma conversa gravada em vídeo por algum espectador.
Sérgio Chapellin noticiou, no JN, os telefonemas que a rede Globo recebera alertando sobre alguns dos trechos da conversa com Ricupero, entre eles, ‘uma eventual ajuda indireta que a Rede Globo estaria dando à candidatura de FHC através da cobertura jornalística que faz das atividades do atual ministro da Fazenda’.
Uma nota redigida pelo diretor do JN e lida por Cid Moreira, começava dizendo: ‘A Rede Globo reitera que não apóia qualquer candidato...’
(SZPACENKOPF, Maria Iabel Oliveira. O Olhar do Poder: a montagem branca e a violência no espetáculo telejornal. RJ: Civilização Brasileira, 2003. pp. 281s.)

grandes momentos da política