O caso Ricupero trata do episódio ocorrido em 01.09.94 (levado ao ar na sexta-feira, 02.09.94 pelo TJBrasil), quando o ministro Rubens Ricupero e o jornalista Carlos Monforte, esperando o momento de iniciar uma gravação, conversavam informalmente. Em função de um acidente nas transmissões, essa conversa foi captada por antenas parabólicas, e aparelhos de televisão que estavam sintonizados receberam a transmissão ao vivo do que acontecia nos estúdios da emissora. Naquele mesmo dia, estávamos [a pesquisadora, autora do livro] no Jornal Nacional e presenciamos o mal-estar dos profissionais surpreendidos pela chegada de uma gravação em cassete dessa conversa, momentos antes de o telejornal ir ao ar. A gravação não pôde ser aproveitada, por Sr de má qualidade e por falta de tempo para a verificação de sua autenticidade. Foi com perplexidade que a equipe do JN assistiu à divulgação, com exclusividade, no TJBrasil, dessa mesma conversa gravada em vídeo por algum espectador.
Sérgio Chapellin noticiou, no JN, os telefonemas que a rede Globo recebera alertando sobre alguns dos trechos da conversa com Ricupero, entre eles, ‘uma eventual ajuda indireta que a Rede Globo estaria dando à candidatura de FHC através da cobertura jornalística que faz das atividades do atual ministro da Fazenda’.
Uma nota redigida pelo diretor do JN e lida por Cid Moreira, começava dizendo: ‘A Rede Globo reitera que não apóia qualquer candidato...’
(SZPACENKOPF, Maria Iabel Oliveira. O Olhar do Poder: a montagem branca e a violência no espetáculo telejornal. RJ: Civilização Brasileira, 2003. pp. 281s.)
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