(Os dois telejornais no dia seguinte:)
Ricupero: Quando terminar tudo, se tudo der certo, o problema vai ser ele [FHC] explicar não me convidar.
Monforte: O quê?
Ricupero: O problema vai ser ele explicar não me convidar. Você sabe, eu não digo isso, mas há inúmeras pessoas que me escrevem e que me procuram para dizer que votam nele por minha causa. Aliás, ele sabe disso, NE? Que o grande eleitor dele hoje sou eu.
O JN apresenta a conversa até esse ponto. O TJBrasil, no entanto, dá prosseguimento:
Ricupero: Por exemplo, para a Rede Globo foi um achado. Porque eles, em vez de terem que dar apoio ostensivo a ele, botam a mim no ar e ninguém pode dizer nada. Agora o PT está começando... Mas não pode porque eu estou o tempo todo no ar e ninguém falou nada. Não é verdade? Isso não ocorreu da outra vez. Essa é uma solução, digamos, indireta, né?
(Esse trecho não aparece no JN nem a parte que Boris Casoy chama de ‘No ar o tempo todo’. Segue a sua transcrição:)
Ricupero: Se quiser, nesse fim de semana, podia gravar o Fantástico. Posso gravar também se quiser alguma coisa, eu estou à disposição. Quem é que é? É o Alexandre?
Monforte: Não, o Fantástico é a Nereide que cuida mais disso. Eu posso até falar com ela.
Ricupero: Pode falar porque eu estou disponível. Eu vou ficar aqui o fim de semana inteiro. Porque eu acho bom. Porque nessa fase, por causa do IPCR, eu estou querendo, por isso é que eu resolvi ficar no ar o tempo todo. Então o máximo que eu puder falar, eu falo.
*
Ao final dos trechos do ministro, segue o comentário de Boris Casoy, que com um meio sorriso ironiza:
Boris Casoy: Eu acho que o ministro Ricupero não vai aparecer mais no Fantástico este fim de semana falando sobre o Plano Real...
FHC, minimizando o ocorrido: ‘Não esperava outra coisa do ministro Ricupero’.
(SZPACENKOPF, Maria Iabel Oliveira. O Olhar do Poder: a montagem branca e a violência no espetáculo telejornal. RJ: Civilização Brasileira, 2003. pp. 283-7)
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