"A mídia burguesa age como partido político, como demonstrou Gramsci. Gramsci mostrou
que a imprensa cumpre um papel fundamental para dar coesão ao processo de
formação da sociedade civil. E mostrou também que a imprensa é controlada
pelo capital privado, mas trata de assuntos públicos. Ou seja, ela é um
veículo privado que trata de assuntos que não são privados, que são da
esfera pública. E assim, esses assuntos da esfera pública são tratados de
uma forma privada quanto ao seu conteúdo, ao seu direcionamento, ou a
maneira pela qual eles são analisados, etc. e tal. Isto faz com que a
imprensa tenha adquirido um grande poder com a segmentação da burguesia e
com a economia burguesa, porque passa a exercer um papel que só é controlado
pelo próprio capital. Que não é controlado pelas instituições públicas. Noam
Chomsky observa que a primeira emenda da Constituição dos Estados Unidos diz
que o Estado não pode censurar a opinião pública. Mas a primeira emenda nada
diz sobre as corporações, porque naquela época nem havia as corporações.
Então, a corporação censura. A corporação controla, define o que é notícia e
o que não é notícia. A corporação tem um poder tremendo de selecionar os
fatos, de divulgar os fatos de acordo com os interesses corporativos. E dá
para esses fatos a aparência de fatos públicos, quando na verdade são fatos
dados de forma privada. Por interesses privados. Logo, a imprensa toda é
partidária. Toda movida por interesses que não são os públicos. São
interesses ideológicos, financeiros, econômicos, interesses capitalistas."
(http://listas.rits.org.br/pipermail/cris-brasil/2005-November/003398.html)
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